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vEIAs LiQuíDaS

as incertezas da vida iluminam as sombras dos meus eus infiltrando-se nas veias líquidas rasgando essas linhas do meu corpo amores… dores… desamores… flores… constituem essa minha humanidade fragmentada despojada na certeza do viver nessa íngreme estrada do não pertencer… Violeta Serena Belém, 30/03/2019

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cOAgUlAçÃO

a estabilidade da turbulência embaça as vistas da calmaria acidentando as emoções no cais da razão triturando a segurança da certeza…
ecos do passado instalam-se nos poros do presente gerando ciclones de desgastes destruindo os portos de sanidade…
lágrimas amargas banham os nódulos de dor desfazendo assim a coagulação das memórias do desamor…
Violeta Serena Belém, 24/03/2019

cEntEnÁrIO dE XAnGÔ

a centenária ancestralidade guiadora da minha existência levou-me ao encontro de mim… sentada numa plateia, sem roupas luxuosas de Ekedi, mas exibindo o meu vestido descolado de brechó europeu, observei aquele xirê do tempo de Xangô como de fora e de dentro… o afastamento necessário para a descoberta do mundo fez-me renascer como uma rocha florida nas águas deslocadas das minhas entranhas… mergulhei nos arquipélagos do meu corpo para remapear o meu ser de “menina-mulher-da-pele-preta”… neguei… excluí… silenciei… desapeguei… mas não esqueci… a menina da beira do rio ainda reage ao alujá da justiça e sabe curvar-se diante do machado que rasga a pedreira… não entendi o porquê enquanto filha de Nanã e Oxum fui levada a um reencontro com Xangô… pensei: - talvez, porque preciso ser justa comigo e com as outras? – ou será porque sou dessas pessoas dada à alegria do encanto de viver? e Xangô para mim é isso: a alegria presentificada em fogo de fúria na realeza… escavei as memórias da minha ma…

mOldUrA VaZia

no oco do vazio a moldura largada na sarjeta de concreto enquadra a vida insignificante das transeuntes o sol inside sobre a moldura à procura de qualquer fragmento de vida incrustado naquele quadrado sem nada ao sabor das horas a moldura fica ali vazia… oca… fragmentada… a espera de rostos sem faces desenhados na tela do tempo…
Violeta Serena Belém, 12/03/2019

eSQuiNa cArnAvAlEscA

no encontro na esquina do tempo despachando uma dança para Exu na encruzilhada carnavalesca Nanã e Omolu se encontram e uma conversa ancestralmente contemporânea enlaça norte e nordeste no sudeste braços de abraços e aconchego acolhem, aninham, amparam… a cabeça quente precisa de calmaria entre as dores do dia-a-dia corpos negros em diáspora seguem construindo afetos do instante no pulsar da vida em qualquer esquina…
Violeta Serena São Paulo, 27/02/2019

cArmEsIm

acordei em outra dimensão de mim corri para o alto sem fim [e] bordei flores de esperanças nas paredes rugosas das montanhas desenhei peônias… dálias e violetas… a montanha floresceu de amor a nuvem cinza circundante dos montes e picos desapareceu diante da efemeridade da beleza floral o firmamento se coloriu para mim como cúmplice dos meus desejos mais nobres no topo da montanha olhei para baixo e contemplei o rio azul translúcido enfeitado com pétalas de aconchego o inseto kermes carmesim sobreava as pétalas seguro de toda sua fragilidade o vento forte acariciava os meus ouvidos com a sinfonia do invisível diante daquela imensidão do singelo me acolhi no útero da terra…
Violeta Serena Belém, 01/11/2018

aBeLHa-rAInhA

tecendo os fios da vida constelações de existências são formadas em nossos corpos desenquadrados enquadrando-se na tessitura do momento…
imagens invisíveis são grafadas nas paredes do cubo branco costurando redes de proteção ao desamor aninhando linhas de aconchego nas entranhas expurgando os restos das dores coaguladas…



na sutura do instante raízes das memórias são expostas em assentamentos de vida [enquanto] bordados de histórias mal contadas são descartados pelas soldados da abelha-rainha…
Violeta Serena Belém, 21/01/2019
Foto: Jorge Valadas