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O qUE FaLaR...

(Para Zélia Amador de Deus)
Nessa segunda-feira de Exu, estou aqui pensando...
O que falar para homenagear a nossa Zélia amada dos deuses e das deusas?
O que falar para homenagear essa filha de Nanã, a Yabá que também reina no meu orí e nos oferta a lama da vida para adentrarmos ao Aiye e nos acompanha até os mistérios do Orun?
O que falar para essa Herdeira de Ananse, que nos ensina a tecer a teia da resistência com a sua existência de encantamento e enfrentamento?
O que falar para essa menina do Marajó, da linhagem do Bento Amador que ficou em sua lembrança e a inspira na luta cotidiana?
O que falar para essa criadora de um auto que no alto ilumina uma cidade velha com a sua presença bela?
O que falar para essa professora que na minha defesa de mestrado me ofertou um poema coleção de cacos e me aconchegou em seus braços?
O que falar para essa atriz do teatro que em três atos transformou o seu livro num palco?
O que falar para essa ativista estrela guia nos iluminando nas trilhas da cidada…
Postagens recentes

cOIsAs qUE nÃO FaLo nO DiVã...

às vezes sinto medo de chegar nas profundezas de mim... tenho pavor de não encontrar o vento da beleza que inspiro e expiro no dia-a-dia... as nuvens cinzas e frias que habitam o interior do meu eu, faço questão de aprisioná-las nas muralhas das interrogações do esquecimento... mas eu lembro... e sofro... e choro... e grito pra dentro... não sou dada a permitir que me adentrem totalmente... por isso o meu uivo de horror da feiura que trago em meu âmago, é em silêncio... falo muito... mas sou extremamente silenciosa com as minhas emoções... talvez porque aprendi que ninguém se interessa por elas... talvez porque eu não sei escutá-las... talvez porque aprendi a não perder tempo com o micro, porque preciso dar conta do macro e para isso tenho que está de pé... por hora sigo com as ranhuras não cicatrizadas nesse lugar qualquer das geografias do meu corpo onde eu acho que  brota o amor... e vou caminhando inflamada... infeccionada ... apodrecida pelo vírus do desamor... Violeta Serena/luZg…

pEnsAmEntOs SeNTiMeNTaiS cOnfUsOS

meus pensamentos sentimentais são confusos... #prontofalei!... porque #numvôminti... e não me diagnostiquem com transtorno bipolar, porque não é disso que se trata o que sinto e vivo... não tem medicação prescrita para essa enfermidade emocional que me consome e é disfarçada com sorriso e flores... estou sentindo falta de algo... quero tapar uma lacuna desconhecida mas que é minha companheira fiel... como sou de atropelar a mim mesma... raras vezes paro para me escutar... não tenho tempo... não consigo encontrar esse tempo... aliás não quero esse tempo de escuta interna... estou sempre ocupada com algo muito maior que eu... mas não sei mais lidar com os gritos que explodem dentro de mim e me ensurdecem... cada vez mais fico surda do meu ouvido esquerdo... ele se recusa a ouvir os berros ecoando dentro das minhas geografias sanguíneas... sinto que não enlouqueço de vez porque escrevo... escrevo muito... escrevo em demasia... a escrita não é fuga... e sim o encontro de enfrentamento com…

pAlAvrAs eSCRiTaS

preciso assumir de uma vez por todas que escrevo para mim e por mim... acredito que a escrita me cura... me purifica... me faz ser uma mulher-pessoa melhor... me leva a mergulhar nas águas barrentas e turbulentas do meu ventre... é o único lugar no qual sou verdadeiramente sincera sem máscaras sociais e no qual sinto-me confortável sem medo que a metralhadora desumana do racismo me torne uma morta-viva... sabe, você não tem o direito de me dizer que sou egoísta e não me preocupo com quem me ler... foda-se você e suas críticas literárias!... não preciso delas para ser escritora, simplesmente porque escrevo... você não me conhece por dentro... não sente as minhas dores... não habita a pele que habito... não sabe dos meus anseios e angústias... não sabe o que é viver com a eterna sensação de solidão mesmo estando cercada por gente que amas... a palavra escrita é a minha única possibilidade de encontrar equilíbrio no meu caos interno... a palavra escrita é a minha fortaleza porque nela po…

pOEmaS PaRa aS cArtAs

escrevi cartas seladas sem endereço certo com rota acertada...
escrevi cartas passadas com rancor do presente para descolonizar o amor indulgente...
escrevi cartas com nódulos de mágoas desafogando a minha glote na busca de apagar as marcas...
escrevi cartas em movimento na esperança de processar o tempo sabendo que a ruptura se materializa na curva do vento... Violeta Serena/luZgomeS Belém, 17/11/2019

pOEmA SeM nOmE

diante desse medo ... largada a esmo... cedo ao desespero do anseio que eu não sei porque veio... não tenho resposta... fico expostasaboreando a derrota da fantasia criada em longas datas... sinto-me como se fosse nada... esmagada pela lembrança que não avança nessa terra insana... escrevo sem respirar para não me matar por tanta vontade de te amar... ainda não sei se resolvi dentro de mim esse negócio de amor por ti... sei que você não pensa em mim... resolvi não insistir porque não quero sucumbir a um desamor sem fim...

mOvImEntO

através da vitrine do tempo
observo o mundo das águas
banhando as minhas lembranças
de algum lugar que não está em mim...
ruídos de motores terrenos
estremecem o asfalto líquido 
de transeuntes inomináveis...
nesse processo observado
nas  idas e vindas das minhas memórias
permaneço em movimento
nos diferentes cais de rotas oscilatórias... 


Violeta Serena/luZgomeS Cacilhas, 06/08/2019