Rua da Palma… rua de transeuntes constantes… fixos e passageiros… rua de comércio imigrante… rua de sons diversos e cheiros inodoramente insípidos… rua de gentes… rua de pessoas desconhecidamentes conhecidas… rua de encontros desencontrados ou não… rua de afetos momentâneos ou duradouros: como saber? … E num dia desses na Rua da Palma duas retinas se cruzam… Miram-se e ela acredita ser apenas mais uma troca de olhares efêmeros no cotidiano da cidade… Segue o seu caminho para continuar as suas compras… Para não perder o hábito, caminha pelo passeio olhando as vitrines das lojas chinesas… diverte-se vendo os objetos made in China… Entra no supermercado, equivoca-se nas compras… Revolta-se com a sua própria desatenção… Resignada, olha a nota dos produtos comprados coloca-a no bolso e mais uma vez pega a calçada da Rua da Palma, que lá na frente se transformará na Avenida Almirante Reis… Porém, para sua surpresa, novamente aquela retina cruza-se com a dela… Coisas do destino? Não sabe… ...