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pArEdE dE ReCaDo

  E lá me vou caminhando pelas ruas... lendo os recados das paredes que me são deixados pelos quatro cantos da  cidade...   Imagem capturada por Violeta Serena Lisboa, 25 de fevereiro de 2016 Rua de São José         

eNCoNTRo De Rua

Rua da Palma… rua de transeuntes constantes… fixos e passageiros… rua de comércio imigrante… rua de sons diversos e cheiros inodoramente insípidos… rua de gentes… rua de pessoas desconhecidamentes conhecidas… rua de encontros desencontrados ou não… rua de afetos momentâneos ou duradouros: como saber? … E num dia desses na Rua da Palma duas retinas se cruzam… Miram-se e ela acredita ser apenas mais uma troca de olhares efêmeros no cotidiano da cidade… Segue o seu caminho para continuar as suas compras… Para não perder o hábito, caminha pelo passeio olhando as vitrines das lojas chinesas… diverte-se vendo os objetos made in China… Entra no supermercado, equivoca-se nas compras… Revolta-se com a sua própria desatenção… Resignada, olha a nota dos produtos comprados coloca-a no bolso e mais uma vez pega a calçada da Rua da Palma, que lá na frente se transformará na Avenida Almirante Reis… Porém, para sua surpresa, novamente aquela retina cruza-se com a dela… Coisas do destino? Não sabe… ...

flOrEs De EstrElA

  Verão quase acabando... Outono despontando... E as flores da Estrela graciosamente enfeitando o Jardim...  E eu, entre a beleza e o perfume das flores caminhei na companhia de mim...     Lisboa, 13 de fevereiro de 2016 Jardim da Estrela Imagem capturada por Violeta Serena em 2015 Texto de Violeta Serena 

a CaMiSa qUE GuaRDei

Guardei a camisa não sua com o seu cheiro… o cheiro inebriante do meu querubim cândido… o cheiro misturado ao meu em fugacidade do querer… o cheiro da nossa intensidade lasciva… o cheiro da ternura simples do nosso encantamento… o cheiro do seu corpo reavivando o meu… o cheiro do adormecer em plenitude… o cheiro da aproximação e do afastamento de reencontro… o cheiro aflorado em nosso olhar disfarçado de não sermos mais… o cheiro de ti existindo em mim… Violeta Serena Lisboa, 02 de fevereiro de 2016

mEnInAs Em CoReS

Colorindo as paredes... colorindo o beco... colorindo o mundo... colorindo a vida... colorindo a nós... colorindo o nosso amor de meninas grandes e pequenas...   Lisboa, dezembro de 2015 Texto de Violeta Serena Imagem capturada por Augusto Fernandes

tArdE TeJiaNa

Águas tejas... amores de rio-mar... borboletagens atlânticas... Imagens capturadas por Violeta Serena Lisboa, 27 de janeiro de 2016.

dEspErtAr SeReNo

Sinto-te tão longe!… sua imagem é quase a silhueta de uma sombra no excesso da luz…   a música torna sua ausência   em lembranças presentes…   danço na noite com o vulto do seu corpo junto ao meu…   caminho por Alfama e sento naquele banco que nós dois sentamos numa noite de verão e fumamos um cigarro de Cabo Verde... tendo o vento como testemunha no meio da conversa você falou:  - tás tão bonita! E eu sorri   me sentindo a mais bela de todas as belas… a sua monstrinha formosa…   Eras tu falando essa frase para mim e não qualquer outro homem com o qual cruzei naquela noite… Olho para o Tejo e ouço você me dizendo: - é aqui que o rio se finda!   Desço a rua do Castelo e vejo a loja do colar vermelho que você me ofertou… acaricio o colar como se tivesse tocando o seu rosto cândido que me encantou desde quando a minha retina fitaram a sua… passo no corpo de outro o óleo de calêndula que me deste de presente... é outra pele… outro cheiro… outro toque...