Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens com o rótulo saudade

frAgmEntOs Do chEIrO

o cheiro: personifica a matéria inebria as mucosas nasais de saudade esculpe emoções no andor da ausência… o cheiro: esse ser volátil invisível aos olhos presente nos corpos delirante das águas… o cheiro: disperso no tempo impregnado nas paredes dos sentidos baila no espaço ao seu próprio ritmo… Violeta Serena São Bernardo do Campo, 18/02/2019

nOstAlgIA ReGReSSiVa

uma película com nome de jardim trilha sonora de leveza singela parei na quietude das águas tu e eu: tigre & cavalo nos comendo com o testemunho do ecrã gozamos com o gozo um do outro na foda… depois do orgasmo a calmaria de estar abraçada nos seus braços de abraços amorosos sinto-me protegida… hora de programinha social vamos lá deitar na grama ouvir um som do mundo cruzamos a ponte de abril em agosto toca Tom Zé para sua escuta reconheço o meu sotaque e alegro-me e começo a fazer o coro: “Menina amanhã demanhã quando a gente acordar quero te dizer que a felicidade vai desabar sobre os homens…” em suspensão no Tejo visualizo a Lisboa de telhados vermelhos o arqueduto de concreto robusto o vento bate no meu rosto e fica para trás como o tempo que tenho para viver aqui a nostalgia se apossa de mim estou operando na saudade regressiva a cada ida sei que não terá volta… penso em nós dois como será difícil segui sem...

sAUdAdE

    Saudosamente saudável!!!...     Violeta Serena Lisboa, 28 de outubro de 2015 Imagem captada por Violeta Serena Alfama 

a CaRTa cÂndIdA pArA o QueRuBiM

  a pigmeu colorida escreveu uma carta para o querubim cândido de asas tortas... pois, a paixão de tango impossibilitou o diálogo... eles falavam, mas, não diziam; ouviam-se e não se escutavam; abraçavam-se num desabraço; indesejavam-se com desejo pulsante... só restava a pigmeu colorida enviar-lhe uma carta... carta com som de blues acompanhado de uma morna, as letras seriam as notas de um samba descompassado... a folha de papel tinha gosto de castanha na rua e cheiro de ananás... a tinta rosa da caneta era a flor que ela queria lhe ofertar em versos...era uma carta difácil... escrita com tato, audição, paladar e olfato... cada palavra rompia as delicadas veias do seu coração, os desenhos que a caligrafia formava eram banhados pelas lágrimas que escorriam pelo canto do olho... ele, o seu amor ibérico, orquestrado por uma melodia afrolatina se perdia entre as linhas azuis do caderno... ela não sabia colocar ponto final na carta, com ele sempre quis ponto seguinte sem reticênc...