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eNTRe A auSêNCia dE SoNS e aS VoZeS dO TeCLaDo

Comunicam-se assim: no silêncio da fala com as vozes dos teclados. As teclas do computador ganham vozes... os distancia e os aproxima... um efeito contemporâneo   de pessoas em trânsito   numa cidade qualquer com idiomas incompreensíveis... entre um sorriso e outro... um olhar de espanto ou de aconchego... mãos que se tocam e se afagam descobrindo cada zona erógena um do outro… corpos que se juntam numa dança da música que vem das Ilhas… um desenho de caneta rosa na folha com pauta...   verbos irregulares conjugados em verde limão... talvez assim, conjuguem as suas vidas nessa cidade que não é a deles… visão… tato… olfato… paladar… audição… sentidos do sensível intímo nesse encontro de afeto afetuoso…   Violeta Serena Lisboa, 27 de março de 2016

bOrbOlEtAgEns FaCeiRaS nA mAdrUgAdA

A noite chega com uma brisa ventosa… céu derramando gotas frias… a lua pudicamente minguante abrigava-se atrás das nuvens cinzas… Enquanto isso a Borboletinha Lunar se preparava para borboletar na noite em ritmo de semba e morna… banhou-se em águas mornas acariciantes da pele e da alma… hidratou seu corpo com uma delicadeza carinhosa… perfumou-se com uma fragrância floral-doce… maquiou seus olhos coloridamente… pintou os lábios com o seu batom vermelho intenso… prendeu os cabelos de lado e o enfeitou com flores vermelha e branca… vestiu um vestido branco que não demarcava a silhueta, mas a fazia sentir-se uma líbelula com asas de cristal… Estava senhora de si… Dona das suas vontades… Encantadoramente mulher… fêmea de feminilidade desenquadrante… A noite é a sua rainha e ela sua súdita fiel… O único contrato que estabeleceu com a sua majestade foi a liberdade da dança… Na taberna medieval-contemporânea entregou-se aos sons que reverberavam em seu corpo… Como uma pluma solta no es...

prEtO/PoLíCia

Preto…polícia… polícia… preto… medo…   Preto… polícia… polícia… preto… desespero…   Preto… polícia… polícia… preto… desmantelo…   Preto… polícia… polícia… preto… berreiro…   Preto… polícia… polícia… preto… desassossego…   Preto… polícia… polícia… preto… decesso…   Violeta Serena Lisboa, 20 de março de 2016  

mIrAgEns

  Miragens por diferentes ângulos nos  corpos em trânsito na cidade...   Texto: Violeta Serena Imagem: Virginia Yunes Lisboa, 05 de março de 2016  

pArEdE dE ReCaDo

  E lá me vou caminhando pelas ruas... lendo os recados das paredes que me são deixados pelos quatro cantos da  cidade...   Imagem capturada por Violeta Serena Lisboa, 25 de fevereiro de 2016 Rua de São José         

eNCoNTRo De Rua

Rua da Palma… rua de transeuntes constantes… fixos e passageiros… rua de comércio imigrante… rua de sons diversos e cheiros inodoramente insípidos… rua de gentes… rua de pessoas desconhecidamentes conhecidas… rua de encontros desencontrados ou não… rua de afetos momentâneos ou duradouros: como saber? … E num dia desses na Rua da Palma duas retinas se cruzam… Miram-se e ela acredita ser apenas mais uma troca de olhares efêmeros no cotidiano da cidade… Segue o seu caminho para continuar as suas compras… Para não perder o hábito, caminha pelo passeio olhando as vitrines das lojas chinesas… diverte-se vendo os objetos made in China… Entra no supermercado, equivoca-se nas compras… Revolta-se com a sua própria desatenção… Resignada, olha a nota dos produtos comprados coloca-a no bolso e mais uma vez pega a calçada da Rua da Palma, que lá na frente se transformará na Avenida Almirante Reis… Porém, para sua surpresa, novamente aquela retina cruza-se com a dela… Coisas do destino? Não sabe… ...

flOrEs De EstrElA

  Verão quase acabando... Outono despontando... E as flores da Estrela graciosamente enfeitando o Jardim...  E eu, entre a beleza e o perfume das flores caminhei na companhia de mim...     Lisboa, 13 de fevereiro de 2016 Jardim da Estrela Imagem capturada por Violeta Serena em 2015 Texto de Violeta Serena